Arquivos | Medicina Feed RSS para esta seção

LADO BOM | A Penicilina |

4 nov

História Geral Pré Penicilina

A coalhada de soja embolorada parece ter sido o primeiro antibiótico natural, utilizado pelos chineses por volta de 500 a.C. para tratar furúnculos e outras infecções semelhantes.

Quase tão antigo, e presente em várias civilizações, é o uso de pão embolorado e teias de aranha em ferimentos infectados.

Embora os médicos tenham procurado nos 2 mil anos seguintes uma espécie de medicamento que combatesse a infecção por bactérias, nenhum pesquisador pensou em investigar cientificamente o folclore medicinal em relação aos bolores.

O primeiro antibiótico moderno, a penicilina, foi uma descoberta casual do bacteriologista escocês Alexander Fleming, em 1928. Fleming havia sido um oficial médico nos hospitais militares da Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial.

Notando a séria necessidade de um agente bactericida para tratar dos ferimentos infectados, após a guerra retornou ao St. Mary’s Hospital, em Londres, para pesquisar sobre o problema.

Em 1928, enquanto estudava o Staphylococcus aureus, uma bactéria responsável pelos abscessos e várias outras infecções, Fleming entrou de férias por alguns dias, deixando os seus recipientes de vidro com cultura sem supervisão.

Ao retornar, notou que a tampa de um dos recipientes tinha escorregado e que a cultura tinha sido contaminada com o mofo da atmosfera. Fleming estava quase a deitar fora a cultura quando a curiosidade o fez examiná-la. Na área onde o bolor estava a crescer, as células do Staphylococcus tinham morrido.

Ele imediatamente percebeu o significado dessa descoberta e verificou que o bolor, uma espécie do fungo Penicillium, estava a segregar uma substância que destruía as bactérias.

Embora ele não tenha conseguido isolar a substância – o que foi feito dez anos depois por Ernst B. Chain e Howard W. Florey, em Inglaterra -, ele chamou-a de penicilina. Muitos cientistas estavam cépticos quanto ao potencial do bolor que havia aparecido por acaso na lâmina de Fleming.

Não se mostravam dispostos a experimentar nos seus pacientes um bolor comum.

Outros problemas resultaram da fragilidade do bolor: ele era fraco, impuro e facilmente destrutível pelas mudanças climáticas e acídicas.

E Então…
Eram necessárias grandes quantidades para obter uma concentração de penicilina suficiente para um único paciente, e Fleming não tinha verbas suficientes.

Com a Segunda Guerra Mundial houve uma necessidade de anti-sépticos para combater as infecções das tropas feridas.

O Dr. Howard Walter Florey, professor de patologia em Oxford, tinha ouvido falar sobre o bolor de Fleming e levou a pesquisa adiante.

Com uma equipa de 20 cientistas e técnicos, Florey cultivou novamente o bolor de Fleming.

Durante meses, a equipa manteve enormes tonéis de um caldo embolorado e malcheiroso, tentando extrair o ingrediente principal.

O Dr. Ernst Boris Chain conseguiu extrair da solução um pó marrom, que destruiu instantaneamente algumas bactérias; na verdade, o extrato continha apenas cerca de 5% de penicilina na sua forma química pura.

Os cientistas testaram a substância em 80 diferentes micróbios; descobriram que os fluidos do sangue não eram hostis à substância e que os glóbulos brancos não eram danificados nem se tornavam inativos.

Prepararam um sal de penicilina (contendo sais de sódio e cálcio), que era mais estável do que o bolor, e foram bem-sucedidos na cura de ratos que receberam injeções de doses fatais de Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes, e outras bactérias.

As suas descobertas formaram a base para o tratamento com penicilina que se pratica até aos nossos dias.

Em 1940, a penicilina foi utilizada, em Inglaterra, no primeiro paciente humano, um polícia com um quadro avançado de infecção sanguínea.

Durante cinco dias os médicos administraram a droga a cada duas ou três horas (a penicilina sai rapidamente do corpo pela urina e, por isso, deve ser reposta em intervalos freqüentes e regulares). O polícia tinha recuperado significativamente quando o suprimento de penicilina se esgotou e as injeções foram suspensas.

A infecção alastrou-se e acabou por vencê-lo. Os cientistas britânicos ainda não tinham conseguido produzir penicilina em quantidade suficiente para salvar uma vida.

Num segundo caso, no entanto, um jovem, que também sofria com uma infecção sanguínea, recebeu penicilina suficiente para se recuperar.

Medicina Experimental

3 nov

Transfusão de Sangue – A Segunda Guerra foi importante nessa “Caminhada” da Medicina

NO INVERNO de 1667, um louco violento chamado Antoine Mauroy foi levado a Jean-Baptiste Denis, famoso médico do Rei Luís XIV, da França. Denis achava que a “cura” ideal para a demência de Mauroy seria uma transfusão de sangue de bezerro que teria um efeito calmante sobre o paciente. Mas isso não deu certo para Mauroy. É verdade que, após uma segunda transfusão, seu estado melhorou. Mas logo o francês foi novamente dominado pela loucura e, pouco depois, estava morto.

Embora mais tarde tenha-se descoberto que Mauroy na verdade morreu devido a envenenamento por arsênico, as experiências de Denis com sangue animal causaram uma tremenda controvérsia na França. Finalmente, em 1670, a técnica foi proibida. Com o tempo, o Parlamento inglês e até o papa proibiram as transfusões de sangue. Elas caíram no esquecimento pelos próximos 150 anos.

Perigos iniciais

No século 19, os médicos voltaram a fazer experimentos com transfusões de sangue. O principal responsável por isso foi um obstetra inglês chamado James Blundell. Com técnicas melhores, instrumentos mais modernos e sua insistência em só usar sangue humano, Blundell fez com que as transfusões de sangue recebessem atenção de novo.

Mas em 1873, F. Gesellius, um médico polonês, publicou uma descoberta assustadora que causou um retrocesso no uso de transfusões: mais da metade das transfusões realizadas acabavam em morte. Quando souberam disso, médicos destacados passaram a condenar o procedimento. Novamente, a popularidade das transfusões diminuiu.

Daí, em 1878, o médico francês Georges Hayem aperfeiçoou uma solução salina que, segundo afirmava, poderia servir como substituto do sangue. Diferentemente deste, a solução salina não tinha efeitos colaterais, não coagulava e era fácil de transportar. Compreensivelmente, a solução salina de Hayem passou a ser amplamente usada. Mas logo aconteceu algo estranho: muitos voltaram a defender o uso do sangue. Por quê?

Em 1900, o patologista austríaco Karl Landsteiner descobriu a existência dos tipos sanguíneos que nem sempre são compatíveis entre si. Não é de admirar que tantas transfusões no passado tenham acabado em tragédia. Agora seria possível mudar isso: bastaria verificar se o tipo sanguíneo do doador era compatível com o do receptor. Com essa descoberta, os médicos voltaram a confiar nas transfusões, bem em tempo para usá-las durante a Primeira Guerra Mundial.

Durante a Segunda Guerra Mundial, aumentou o uso do sangue
U.S. National Archives photos

As transfusões de sangue e a guerra

Durante a Primeira Guerra Mundial aplicaram-se muitas transfusões de sangue em soldados feridos. Naturalmente, o sangue coagula rápido e antes era quase impossível transportá-lo para o campo de batalha. Mas no início do século 20, o Dr. Richard Lewisohn, do Hospital Monte Sinai em Nova York, fez experiências bem-sucedidas com um anticoagulante chamado citrato de sódio. Para alguns médicos, esse avanço empolgante foi um verdadeiro milagre. “Foi quase como se alguém tivesse feito o sol ficar parado”, escreveu o Dr. Bertram M. Bernheim, um médico famoso na sua época.

Durante a Segunda Guerra Mundial, aumentou o uso do sangue. Em toda parte, encontravam-se pôsteres com mensagens como: “Doe sangue agora”, “Seu sangue poderá salvá-lo” e “Ele deu o próprio sangue. E você, dará o seu?” As campanhas de doação de sangue surtiram efeito. Durante a Segunda Guerra Mundial, foram doadas cerca de 13.000.000 de unidades nos Estados Unidos. Calcula-se que, em Londres, mais de 260.000 litros foram coletados e distribuídos. Naturalmente, as transfusões de sangue traziam vários riscos à saúde, como logo ficou evidente.

Não existe norma médica sobre o uso de transfusões de sangue

Todo ano, somente nos Estados Unidos, 3.000.000 de pacientes recebem mais de 11.000.000 de unidades de glóbulos vermelhos. Em vista desse grande número, seria de se esperar que houvesse uma norma estrita entre os médicos com relação a transfusões de sangue. Contudo, The New England Journal of Medicine menciona que, surpreendentemente, há poucos dados “para orientar as decisões sobre transfusões”. De fato, os procedimentos variam muito, não só com respeito a exatamente o que e quanto é transfundido, mas também se a transfusão é realmente indicada. “A transfusão depende do médico, não do paciente”, diz o periódico médico Acta Anæsthesiologica Belgica. Levando-se em conta o que foi mencionado acima, não é de admirar que um estudo publicado por The New England Journal of Medicine tenha descoberto que, “segundo estimativas, 66% das transfusões são indevidamente aplicadas”.

Doenças transmitidas pelo sangue

Depois da Segunda Guerra Mundial, grandes avanços na medicina tornaram possíveis cirurgias que antes eram inimagináveis. Em conseqüência disso, surgiu uma indústria global multibilionária de fornecimento de sangue para transfusões, que os médicos passaram a considerar procedimento padrão em operações.

Logo, porém, surgiram preocupações com doenças relacionadas às transfusões. Durante a Guerra da Coréia, por exemplo, quase 22% dos que receberam transfusões de plasma contraíram hepatite, quase o triplo do índice da Segunda Guerra Mundial. Por volta dos anos 70, os Centros de Controle de Doenças, dos EUA, calcularam que anualmente ocorriam 3.500 mortes por hepatite relacionada a transfusões. Outros falavam em cifras 10 vezes maiores.

Graças a exames melhores e à seleção mais cuidadosa de doadores, os casos de contaminação por hepatite B diminuíram. Mas uma forma nova e às vezes fatal do vírus (hepatite C) passou então a fazer muitas vítimas. Calcula-se que quatro milhões de norte-americanos contraíram o vírus, várias centenas de milhares desses através de transfusões de sangue. É verdade que exames rigorosos com o tempo reduziram a incidência de hepatite C. Mas muitos temem o surgimento de novos perigos que só serão percebidos quando for tarde demais.

Outro escândalo:
sangue contaminado por HIV

Nos anos 80, descobriu-se que o sangue pode ser contaminado pelo HIV, o vírus da Aids. De início, os donos de bancos de sangue não queriam aceitar a possibilidade de que seus estoques estivessem contaminados. Muitos deles a princípio reagiram com cepticismo aos perigos do HIV. Segundo o Dr. Bruce Evatt, “foi como se alguém tivesse chegado do deserto dizendo: ‘Vi um extraterrestre.’ Eles ouviam, mas simplesmente não acreditavam”.

Contudo, em vários países, houve escândalos envolvendo sangue contaminado por HIV. Calcula-se que na França de 6.000 a 8.000 pessoas que receberam transfusões entre 1982 e 1985 foram infectadas com o vírus. As transfusões de sangue são consideradas responsáveis por 10% das infecções por HIV na África e por 40% dos casos de Aids no Paquistão. Devido a exames melhores, hoje a transmissão de HIV pelo sangue é rara em países desenvolvidos. Mas ainda é um problema em países em desenvolvimento nos quais não existem exames para detectar Aids.

LADO BOM | Avanços tecnológicos

3 nov

Há sempre críticas em relação a Segunda Guerra Mundial, mas caso ela não houvesse ocorrido, como seriam as tecnologias de hoje? Talvez uns 10 anos, ou mais, atrasados com relação aos dias atuais. Tanto nas áreas de transporte e medicina quanto nas de energia, as quais tiveram seus avanços decorridos da Segunda Guerra.

Medicina
Um dos casos de morte mais comuns nas guerras são as infecções decorridas dos ferimentos no campo de batalha. Os médicos conseguiam conter os sangramentos e hemorragias mas, após isso, o paciente ficava à mercê da sorte, já que nada se podia fazer em relação às infecções. Esse quadro se inverteu em 1928, quando Alexander Fleming, um médico, saíra de férias e, por acaso, esquecera algumas placas com culturas de microrganismos em seu laboratório no Hospital St Mary em Londres. Quando voltou, reparou que uma das culturas de Staphylococcus tinha sido contaminada por um bolor e, em volta das colônias deste, não havia mais bactérias. Então, Fleming e seu colega, Dr. Pryce, descobriram um fungo do gênero Penicillium e demonstraram que o fungo produzia uma substância responsável pelo efeito antibactericida: a penicilina. Sua utilização só ocorreu em 1943, quando os governos ficaram preocupados com o aumento das baixas decorrentes de infecções e resolveram aplicá-la. A penicilina salvou milhares de vidas de soldados dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Durante muito tempo, o capítulo que a penicilina abriu na história da Medicina parecia prometer o fim das doenças infecciosas de origem bacteriana como causa de mortalidade humana.

Aviação
A Segunda Guerra foi caracterizada por uma crescente produção de aviões e pelo rápido desenvolvimento dessa tecnologia. No começo da Segunda Guerra Mundial, os aviões de caça tinham velocidade máxima de até 480 km/h e podiam voar até um teto de 9 mil metros de altitude. No final da guerra, caças já voavam a 640 km/h, com muitos tendo tetos de 12 mil metros. Mas o principal avanço foi na área da aviação a jato. Os caças a jato, criados ao longo da guerra, podiam locomover-se ainda mais rapidamente, mas eles não foram usados até próximo ao final da guerra. O primeiro jato funcional foi o alemão Heinkel He 178. Essa tecnologia rapidamente foi adaptada para a aviação civil que permitiu que o transporte intercontinental fosse realizado com mais facilidade e menor tempo. Hoje, temos aviões que podem chegar a velocidades incríveis, nada disso seria possível se a corrida armamentista da Segunda Guerra não tivesse ocorrido.

Computador
Uma das invenções mais importantes da Segunda Guerra foi o computador. Ele era muito diferente das máquinas que temos hoje. Ocupavam salas inteiras e faziam somente cálculos para direcionamento balístico.
Mas enganam-se os que pensam que o primeiro computador foi desenvolvido pelos americanos. Ele foi feito em 1936 por Konrad Zuse (1910–1995), engenheiro alemão, que construiu a partir de relês que executavam os cálculos e dados lidos em fitas perfuradas, o Z1.
Zuse tentou vender o computador para o governo alemão, que desprezou a oferta, já que não poderia auxiliar no esforço de guerra. Os projetos de Zuse ficariam parados durante a guerra, dando a chance aos americanos de desenvolver seus computadores.

A Marinha Americana, em conjunto com a Universidade de Harvard, desenvolveu o computador Harvard Mark I, projetado pelo professor Howard Aiken, com base no calculador analítico de Babbage. O Mark I ocupava aproximadamente 120 m³ e conseguia multiplicar dois números de dez dígitos em três segundos. Simultaneamente e em segredo, o Exército Americano desenvolvia um projeto semelhante, chefiado pelos engenheiros J. Presper Eckert e John Mauchy, cujo resultado foi o primeiro computador a válvulas, o Eletronic Numeric Integrator And Calculator (ENIAC), capaz de fazer quinhentas multiplicações por segundo. Tendo sido projetado para calcular trajetórias balísticas, o ENIAC foi mantido em segredo pelo governo americano até o final da guerra, quando foi anunciado ao mundo.

Energia – Bomba Atômica
Quando Albert Einstein criou a teoria da relatividade em 1921, ele pensava que sua descoberta serviria para o bem da humanidade. Mas, com a Segunda Guerra, sua teoria foi utilizada para outros fins: criar uma arma de destruição em massa.
Na madrugada do dia 16 de julho de 1945, ocorreu o primeiro teste nuclear da história, realizado no deserto de Alamogordo, Novo México, o chamado Trinity Test. Sua segunda utilização foi na cidade japonesa de Hiroshima e o terceiro, na cidade de Nagasaki. Essas explosões resultaram na morte imediata de  155.000 pessoas e de 110.000 pessoas nas semanas seguintes, em consequência dos efeitos da radioatividade. Além disso, suspeita-se que até hoje mais 400.000 morreram devido as efeitos de longo prazo da radioatividade.

Algo tão destrutivo, no final, acabou se tornando uma das fontes de energia mais utilizadas do mundo por sua alta capacidade de produzir energia.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.