O Imenso Poder do Minúsculo Átomo

6 nov

Por Que a bomba nuclear foi usada?

No verão europeu de 1945, os Aliados tinham derrotado a Alemanha e concentravam-se no esmagamento da máquina de guerra japonesa. No Japão, mais de dois milhões de homens e nove mil aviões para missões suicidas kamikaze estavam prontos para lutar até o fim. Peritos dos EUA calculavam que uma invasão maciça do Japão podia custar cerca de quinhentas mil vidas de soldados norte-americanos.

Alarmados, os EUA propuseram utilizar a bomba atômica. Em 26 de julho de 1945, os EUA, a Grã-Bretanha e a China avisaram os japoneses que eles deviam render-se incondicionalmente ou enfrentar a “destruição imediata e completa”. Não se fez menção à bomba atômica.

Para ganhar tempo, os japoneses desprezaram as exigências. Embora alguns conselheiros insistissem para que o presidente Truman fizesse explodir uma bomba atômica numa região desabitada para mostrar quão mortífera era esta nova arma, outros insistiam para que ele utilizasse a bomba sem aviso. Em 6 de agosto, o Mundo soube da decisão de Truman.

O lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e, três dias mais tarde, sobre Nagasaki, há muito vem sendo debatido. Os seus defensores dizem que ela pôs fim à guerra e salvou vidas do lado dos Aliados. Para outros, a bomba foi imoral, pois os japoneses podiam ter sido derrotados por meios convencionais.

Quem fabricou a bomba?

Em 1939, Albert Einstein e outros cientistas escreveram ao presidente Roosevelt propondo que os EUA estabelecessem um programa de investigação especial para fabricar uma bomba atômica. Porém, foi somente após o ataque dos japoneses a Pearl Harbor, em 1941, que o governo dos EUA considerou a necessidade de tal arma. Em 1942, nasceu o programa ultra-secreto de fabricação da bomba atômica, chamado de Projeto Manhattan, porque o trabalho foi iniciado na Universidade de Colúmbia, em Manhattan.

Milhares de técnicos de diversos locais de todo o país lançaram-se ao trabalho. A segurança era rígida e poucos cientistas sabiam o que os seus colegas faziam. Num complexo especialmente construído em Los Alamos, no Novo México, o Dr. Robert Oppenheimer, diretor científico do projeto, supervisionava o desenvolvimento da bomba, ou “besta”, como era designada em código.

Três anos mais tarde, às 5:30h da manhã de 16 de julho de 1945, a bomba foi testada num local remoto do deserto do Novo México. Uma nuvem em forma de cogumelo ergueu-se a 12.000m de altitude. Roberto Oppenheimer registrou o acontecimento com uma citação do Bhagavad-Gita hindu: “Agora tornei-me a morte, destruidora dos mundos”.

Niels Bohr, Enrico Fermi e Edward Teller (da esquerda para a direita)

Fabricantes de bombas - também trabalharam os físicos Niels Bohr, Enrico Fermi e Edward Teller (da esquerda para a direita)

Como funciona a Bomba?

Ernest Rutherford

Quebra-átomos: A divisão do átomo, em 1919, foi o ápice de anos de experiências do físico nuclear Ernest Rutherford.

Os átomos que compõem a matéria consistem de um núcleo central rodeado por elétrons. O núcleo mantém-se unido por forças de ligação difíceis de serem rompidas. Em 1919, porém, o físico neozelandês Ernest Rutherford, que trabalhava na Universidade de Manchester, demonstrou que o núcleo de um átomo podia ser partido se fosse bombardeado por partículas altamente energéticas. Como era necessária muita energia para quebrar as forças de ligação, Rutherford duvidava que esta transformação pudesse vir a constituir uma fonte de energia, mas não contou com o urânio, cujo núcleo é o maior que existe na natureza. Como uma gota de chuva que aumenta tanto que por se dividir em duas, o núcleo do urânio oscila à beira da instabilidade e requer apenas uma leva colisão com um nêutron para se dividir, produzindo a partir de um único elemento pesado dois elementos mais leves, num processo designado por fissão nuclear, descoberto em 1938, por Otto Hahn e Lise Meitner.

O que tornou esta descoberta tão revolucionária foi o fado de no processo de fissão o núcleo de urânio libertar dois nêutrons, suficientes para dividir outros dois núcleos, que libertam quatro nêutrons, e assim por diante, indefinidamente. Para uma reação em cadeia auto-sustentada faltava apenas urânio suficiente, uma massa crítica, para garantir que os nêutrons resultantes não escapassem antes de produzir novas fissões. O curioso resultado da fissão era a produção de dois átomos mais leves e nêutrons, cuja massa combinada é menor que a do núcleo pesado que lhes dá origem ao cindir-se. A massa converte-se em energia segundo uma equação deduzida por Albert Einstein, E = mc², em que E é energia, m a massa e c a velocidade da luz.

Fat Man

Fat Man (Homem Gordo). Três dias depois de Little Boy ter destruído Hiroshima, uma segunda bomba atômica, apelidade de "Fat Man", foi lançada sobre Nagasaki, matando quarenta mil pessoas. Quando uma bomba como esta foi testada em Los Alamos, o calor transformou em vidrou a areia no centro da explosão.

Para produzir uma bomba nuclear, ou atômica, como veio a ser conhecida, era necessário criar uma massa crítica de urânio-235, uma variedade (isótopo) de urânio que constitui apenas 0,7% do urânio natural. Uma outra via era utilizar plutônio. A bomba que explodiu o urânio e a bomba que destruiu Nagasaki, o plutônio, mas ambas foram ativadas pelo agrupamento da massa crítica no momento da explosão.

Quem são os hibakusha?

Assim chamados por causa da palavra japonesa que significa “pessoa afetada pela explosão”, os hibakusha são os milhares de japoneses que sobreviveram aos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki. Embora as mortes causadas diretamente pela exposição às radiações no instante da explosão tenham praticamente cessado dois meses após os bombardeios, muitos hibakusha expostos à radiação original continuam a morrer de doenças relacionadas.

Mas não se sabe ao certo quanto hibakusha morreram devido a doenças relacionadas à bomba atômica, pois o Japão nunca divulgou listas das vítimas. Entretanto, os hibakusha têm involuntariamente prestado um grande serviço à humanidade. A sua experiência tem sido  a base de todos os limites de segurança quanto às radiações, que se aplicam aos raios X, emissões nucleares etc. A partir dos cálculos das doses que as vítimas receberam e dos níveis de doença sofridos, têm-se deduzido os limites recomendados para a exposição às radiações.

O Que aconteceu depois?

A curto prazo, as bombas de Hiroshima e Nagasaki levaram o Japão a render-se em 10 de agosto de 1945 e ao fim da guerra. Falando pela rádio, o imperador Hiroshito disse à nação: “Resolvemos preparar o caminho para a paz para todas as gerações vindouras, suportando o que é insuportável e sofrendo o que não é sofrível”. A bomba inaugurou a era nuclear. A URSS explodiu a sua primeira bomba nuclear em 1949 e a Grã-Bretanha em 1952. As bombas nucleares são cada vez mais sofisticadas e mortíferas, com uma força explosiva muito mais poderosa que a das primeiras bombas atômicas. Atualmente, pelo menos dez nações pertencem ao “clube nuclear”.

A tecnologia atômica tem sido também usada para o progresso da humanidade: reatores nucleares fornecem energia e isótopos radioativos são utilizados em pesquisas, na indústria e na medicina.

A lição mais valiosa de Hiroshima pode ser conhecimento de que as armas nucleares devem ser consideradas como o último fator dissuasor de guerras futuras. São tão mortíferas que a sua utilização seria um convite à destruição mútua dos beligerantes.

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